Quando o barco passa na água
Faz as vezes de ilusão...
O que é esta dor sem mágoa
Que há um pouco em meu coração?

Quando o barco vai no rio
A gente põe-se’ a pensar...
Mas nem se pensa a frio,
Porque pensar é sonhar.

Quando o barco vai da vista
Há uma tristeza que vem.
Quem quer que a vida exista?
Meus sonhos não são ninguém...

6 - 11 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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