Vossa formosa juventude leda, 
Vossa felicidade pensativa,
Vosso modo de olhar a quem vos olha, 
            Vosso não conhecer-vos —

Tudo quanto vós sois, que vos semelha 
À vida universal que vos esquece 
Dá carinho de amor a quem vos ama 
            Por serdes não lembrando

Quanta igual mocidade a eterna praia 
De Cronos, pai injusto da justiça, 
Ondas, quebrou, deixando à só memória 
            Um branco som de spuma.
 
2 - 9 - 1923

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
« Voltar