Sofres. Um hospital — é sempre longe muito longe
É sempre o fim do mundo
Um mundo frio outro mundo
E como por momentos posso esquecer
Que tão longe estás isto está acontecendo
Que espaços de noite ainda restam
Quantas madrugadas para ainda acordar
Quantos comprimidos remédios adiam a dor  e os olhos abertos
Ainda?
Perdão meu Amigo. Eu existo e no corpo nada me dói
E tanta ferida não sei aonde
Que dói onde e onde
Meu Amigo flor ardente
Cada amigo perdido é cinza da solidão desarmada
Nem sei ir nem sei dizer adeus onde aonde
E ardo de mágoa.

In Voz Nua , Livros Horizonte, 1986
Matilde Rosa Araújo
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